Links

21 07 2008

Dois links interessantes:

O primeiro é uma palestra, “A literatura e a arte na cultura da imagem” que a Beatriz Sarlo realizou no dia 8 de julho na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

http://forumpermane nte.incubadora. fapesp.br/ portal/.event_ pres/encontros/ palestra- com-beatriz- sarlo/

O segundo é uma comunidade no Orkut criada para que possamos discutir a obra de Glauber Rocha.

http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=62224197

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Bergman sobre Antonioni

21 07 2008

Dia 30 as mortes de Ingmar Bergman (1918 – 2007) e Michelangelo Antonioni (1912 – 2007), dois dos maiores autores do cinema, completam um ano. Aproveitei que, a partir de hoje, sexta-feira, a Cinemateca Paulo Amorim está homenageando os dois mestres com a exibição, em cópias em 35mm!, de Morangos Silvestres (1957) e Gritos e Sussuros (1972), do sueco, e A Noite (1961) e O Passageiro: Profissão Repórter (1975), do italiano, para adiantar aqui uma pequena homenagem.

Trata-se de um trechinho bem curto de uma entrevista na qual Bergman comenta sobre novos autores de cinema, ao que tudo indica, falando para uma emissora de tevê norte-americana, em 2002. Em meio a uma resposta, em meio a uma crítica mais que pertinente aos novos autores como um todo, o diretor de Persona (1966) e Monika e o Desejo (1953) citou uma bela frase proferida pelo diretor de A Aventura (1960) e Blow Up (1966). Vale a pena ver abaixo, aproveitando também para conferir quais eram os dois filmes de Antonioni preferidos do sueco. As legendas estão em inglês, mas está fácil de sacar a lição do grande cineasta, que por sinal teria completado 90 anos de idade esta semana, se vivo fosse.





…e na Mostra de Cinema de Ouro Preto

16 06 2008


Em debate intitulado “Glauber Rocha e Rogério Sganzerla: Inventividades dos Anos 60”, ocorrido neste domingo, terceiro dia de programação da Mostra de Cinema de Ouro Preto, depoimentos emocionados de personalidades como a atriz Helena Ignez e os cineastas Andrea Tonacci, Joel Pizzini e Geraldo Veloso testemunharam as aproximações existentes não apenas na obra, mas na vida pessoal de Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, homenageados desta terceira edição do evento.

“Esta aproximação entre Glauber Rocha e Rogério Sganzerla proposta pela Mostra de Ouro Preto é nova e revolucionária”, afirmou Helena Ignez, que foi casada com ambos os diretores. “Como diz Paloma [Rocha, filha de Glauber com Helena], eu sou uma atriz glauberiana por excelência, e só pude ser a atriz que fui com Sganzerla por ter essa formação glauberiana”. Da platéia, Luiz Paulino dos Santos, diretor baiano que foi substituído por Glauber na direção de Barravento, filmava a tudo com sua câmera mini-DV.

O diretor Joel Pizzini, casado com Paloma Rocha e que nos últimos anos tem se dedicado à recuperação e documentação da obra de Glauber, levantou em sua fala uma série de aproximações entre as obras de Glauber e Sganzerla – como a utilização de métodos brechtianos em seus filmes, a paixão pela música e a admiração pelo cineasta americano Orson Welles – bem como falsas oposições que, segundo ele, são desmentidas pelos filmes (herói x anti-herói, alta cultura x baixa cultura, nacional x internacional).

“Há um intercâmbio entre Glauber e Rogério. Não é uma via de mão única. Há sim um diálogo tenso entre os dois diretores, mas no sentido criativo, de exercício da polêmica como atitude política”, explica Pizzini. “A poeira baixo e a gente pode analisar tudo isso sem se contaminar pelo contexto. Nesse sentido, a CineOP foi a primeira manifestação que teve a ousadia de fazer essa aproximação entre Glauber e Rogério”.

Pizzini recordou ainda a existência de fitas Super 8, cujo paradeiro atual é desconhecido e que conteriam imagens de Sganzerla e Glauber filmando um ao outro em um festival de rock londrino no início da década de 70. Essa informação, divulgada por Paloma Rocha em entrevista ao catálogo da Mostra de Ouro Preto, tem causado grande curiosidade e mobilização por parte dos presentes quanto à necessidade de se encontrar e resgatar esse documento histórico de importância inestimável para a cultura brasileira.

A própria Paloma, filha de Glauber com Helena e que foi criada por Sganzerla, fez questão de destacar da platéia a importância dessa aproximação. “Essa disputa que se criou pela mídia entre os dois era uma angústia minha desde a infância. Agora me sinto mais aliviada”, confidenciou Paloma.

Finalizando sua fala, Joel Pizzini relatou ainda aos presentes os últimos instantes que teve com Sganzerla antes de sua morte, como uma ilustração da paixão que os dois homenageados possuíam pelo cinema: “Me ligaram da casa de Rogério dizendo que ele havia desmaiado. Corri para lá, chamei uma ambulância e, quando entrei no carro com ele, Rogério me perguntou ‘Cadê sua camereta? Você não vai filmar?'”

Já o cineasta Andrea Tonacci, que juntamente com Rogério Sganzerla e Julio Bressane foi um dos maiores expoentes do chamado Cinema Marginal, relembrou com emoção aquele período dos anos 60: “Fazia-se cinema para mudar o mundo, não para ganhar dinheiro ou ocupar mercado. Devo a Rogério essa compreensão de que o cinema era um instrumento de descoberta, de transformação do mundo. O cinema como um processo vital, não funcional”.

Para Tonacci, Glauber e Sganzerla eram como dois irmãos gêmeos, porém com idades e mães diferentes. “Foi Rogério que me apresentou a Glauber e foi Glauber que convenceu Paulo Gracindo a atuar em meu filme Blá Blá Blá”. Entre as histórias de aproximação entre Glauber e Sganzerla contadas por Tonacci, a que mais divertiu a platéia foi a de uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro. “Fomos de Fusca para o Rio de Janeiro: eu dirigindo, Rogério no banco do passageiro e Glauber atrás, com a cabeça enfiada no meio de nós e falando sem parar durante as seis horas de viagem. Foi assim que ouvimos, em primeira mão, toda a história de Terra em Transe”.

Da platéia, depoimentos emocionados de outros cineastas presentes resumiam o sentimento do público que lotava o auditório do Centro de Convenções. “Estou muito emocionado com este momento que estamos vivendo, dessa revisão e aproximação histórica dos filmes de Glauber e Rogério”, confessou o diretor mineiro Geraldo Veloso. Já para o carioca Noilton Nunes, que veio a Ouro Preto representando a Abraci – Associação Brasileira de Cineastas, “Este encontro de Ouro Preto já é a melhor coisa que aconteceu em 2008”.

Na seqüência, o debate “Os Anos 60 Além do Cinema Novo” contou com a presença dos cineastas Walter Lima Jr e Geraldo Veloso e dos pesquisadores José Américo Ribeiro e Rubens Machado Jr para discutir toda uma produção da década de 60 que ficou relegada ao esquecimento histórico, à sombra do Cinema Novo. Em sua fala, Rubens Machado destacou a importância fundamental de se reavaliar mesmo os filmes e períodos ignorados pelos críticos da época e lembrou de Jairo Ferreira, como um dos únicos críticos a se atentar a essa outra produção dos anos 60, que incluía chanchadas tardias, filmes de cangaço e policiais.

Ao se falar de uma produção virtualmente invisível da década de 60 (a dificuldade de acesso a cópias desses filmes foi uma questão recorrente ao longo do debate) a discussão inevitavelmente migrou para a ocupação de mercado e para a atual situação do cinema brasileiro. Sobre isso, Walter Lima Jr, que está em Ouro Preto apresentando seu novo filme Os Desafinados, afirmou: “Um diretor que venha da TV e que faça um filme de 3 milhões de espectadores para mim é um fracasso. Se eles fazem 80 milhões com a novela, para que vão fazer cinema para 3 milhões?”

***

Dando continuidade à programação em homenagem a Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, cerca de 400 pessoas lotaram o Cine Vila Rica para assistirem O Bandido da Luz Vermelha, longa de estréia de Sganzerla. Na platéia, uma imagem ilustrou com perfeição o caráter histórico do que vem ocorrendo em Ouro Preto: sentados na primeira fila, Eryk Rocha e Pedro Paulo Rocha, filhos de Glauber, aguardavam o início da projeção do clássico maior de Sganzerla.

Além da exibição dos vídeos da série “Impossibilidades”, dos curtas reunidos sob a temática “A Realidade Sob Novos Olhares” e do média-metragem Margem, de Maya Da-Rin, dois longas tiveram sua estréia em Minas Gerais neste domingo: O Fim da Picada, de Christian Saghaard, e Nossa Vida Não Cabe Num Opala, de Reinaldo Pinheiro, filme que levou cinco prêmios no 12º CinePE, incluindo o de Melhor Filme, e que foi aplaudido em cena aberta por um cinema lotado em sua exibição aqui em Ouro Preto, reforçando seu forte apelo junto ao público.





Sessão comentada de “Limite”

12 06 2008

Ontem, tive contato com a obra de um visionário. Sim, um visionário.

Antes do filme ser rodado, uma conversa com dois profissionais das Letras apaixonados por cinema, Michael Korfmann e Alice Spitz. O primeiro é professor de alemão da UFRGS e tem diversos textos acadêmicos sobre o filme, tanto no Brasil como na Alemanha. Soube por ele do relançamento do mesmo em ‘versão definitiva’. “Limite” possui diferentes versões de cortes e até de trilha, segundo o professor. E essa versão seria lançada no ano que vem.

Alice Spitz é cineasta e também ligada às Letras, de poucas palavras – mas de muita leitura -, a carioca, conterrânea de Mario Peixoto, apresentou um texto de sua autoria sobre o quão inovadora naqueles recursos de linguagem e estética era a obra para aquela época, para aquele Brasil, para tornar influente para o que viria depois. O país pouco possuia audiovisualidades e teve no sonho de um jovem o resultado de um dos maiores filmes. Mario Peixoto era escritor e, segundo Alice, afirmava ser escritor, não cineasta.

Deslumbrado com a promessa de um grande filme, tive meu primeiro contato com uma obra de Mario Peixoto. E, depois dessa experiência, dizer que se trata de um visionário não é um exagero, embora ainda esteja em estado de transe.

(Solano Lucena)





“Limite” em sessão comentada, no Santander

11 06 2008

Em comemoração ao centenário do diretor Mario Peixoto, uma única e rara exibição de “Limite” está na programação deste mês do Cine Santander. Considerado internacionalmente como uma obra-prima e apontado como um correspondente brasileiro às vanguardas do surrealismo e impressionismo francês, o filme é famoso por suas poucas e conturbadas exibições. A sessão será comentada com Michael Korfmann e Alice Splitz. A exibição acontecerá no dia 11 de junho às 19 horas, no Santander Cultural (r Sete de Setembro, 1028). Imperdível.





Sobre a trilha sonora de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”

11 06 2008

O cego Zé, guiado apenas por seu primo Pedro das Ovelhas, me disse que ele cantava para não perder o juízo; pegava o cavaquinho e, voz de angústia, furando as tardes de Monte Santo, invocava amores perdidos e crimes terríveis.

Quem anda pelo sertão conhece bem um cantador — velho e cego (que cego vê a verdade no escuro e assim canta o sofrimento das coisas) bota os dedos no violão e dispara nas feiras, levando de feira em feira e do passado para o futuro, a legenda sertaneja: história e tribunal de Lampião, vida, moralidade e crítica. Na voz de um cantador está o “não” e o “sim” — e foi através dos cantadores que achei as veredas de Deus e o Diabo nas terras de Cocorobó e Canudos.

Sou mau cantador — sem ritmo e sem memória, fiquei por tempos a ruminar e reinventar a essência das coisas que tinha ouvido — e um enorme romance em versos nasceu, impuro e rude, narrando o filme. Acabando o trabalho, pronta a montagem, restavam imagens neutras, mortas, que necessitavam da música para viver: eram imagens do romanceiro transcrito. Todo o episódio de “Corisco”, por exemplo, nasceu das cantigas que ouvi cantar em vários lugares diferentes e, dispensada a música, perderia um significado maior.

Sérgio Ricardo, embora seja sambista com mistura de morro e asfalto, tem paixão pelo nordeste, tem a vantagem de ser cineasta e sabe que música de filme é coisa diferente: tem de ser parte da imagem, ter o ritmo da imagem, servir (servindo-se) à imagem.

Começamos o trabalho. Dei as letras — nas quais usei muitos versos autênticos do povo — e Sérgio começou a compor. Tinha seus vícios de “arranjos”; discutimos que o negócio tinha de ser “puro”. Sérgio ouviu péssimas gravações do cego Zé e do seu primo Pedro: pegou e matutou o tom. Cortamos certos versos, fizemos outros: Sérgio deu uns palpites nas letras e eu, mau cantador, dei palpites na música. E ensaiamos pra valer na hora da gravação. Transformei Sérgio em ator — gritei, ele ficou nervoso, deixou os preconceitos e soltou a voz e os dedos do violão. Depois de vários dias a noites a banda sonora estava gravada.

Acho que o cinema brasileiro tem, nas origens de sua linguagem, um grande compromisso com a música — o nosso triste povo canta alegre, uma terrível alegria de tristeza. O samba de morro e a bossa nova, o romanceiro do nordeste e o samba de roda da Bahia, cantiga de pescador e Villa-Lobos — tudo vive desta tristeza larga, deste balanço e avanço que vem do coração antes da razão.

Uma das mais belas imagens do nosso cinema é, por isso, aquela de Grande Othelo, em “Rio Zona Norte”, cantando um samba de Zé-Keti. É assim que nossa música no cinema funcionará sempre como a explicação profunda da alma brasileira.

Glauber Rocha





Filha de Glauber Rocha diz que faz “arqueologia” de obra do pai

6 06 2008

Paloma Rocha, filha do diretor brasileiro Glauber Rocha, revelou que pretende realizar uma série de projetos relacionados à obra cinematográfica de seu pai neste ano e em 2009, quando o cineasta completaria 70 anos.

No próximo dia 13, estréia na TV Brasil o primeiro destes novos projetos, a série inédita “Sertão Glauber”.

Dividida em oito episódios de 30 minutos, a série, com imagens feitas em 1968, mostra a história de “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, filme exibido no último Cine Ceará e vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes em 1969.

“Sempre existe uma confusão, porque muita gente acha que ele ganhou a Palma de Ouro pelo filme, mas, na verdade, foi o prêmio de melhor diretor, no ano em que o festival foi presidido por Luchino Visconti”, conta Paloma, produtora e diretora da série, à Folha Online.

“O mais engraçado é que nós não temos este prêmio porque, na época, Zelito Vianna (produtor do filme e irmão do comediante Chico Anysio) o levou para o hotel onde estavam hospedados na França. Então, todos saíram para comemorar e, depois, acabaram perdendo o documento”, afirma Paloma.

Paloma conta que o projeto de “Sertão Glauber” começou há três anos, quando ela e Joel Pizzini, co-diretor da série, começaram a trabalhar no relançamento dos filmes restaurados do cineasta, ícone do Cinema Novo.

“A idéia era ter um documentário para cada filme. Fizemos o “Anabazys – Anatomia do Sonho”, que foi exibido no Festival de Veneza e ganhou prêmio no Festival de Brasília, e este material da série iria apenas acompanhar DVDs com filmes do Glauber”, conta Paloma.

Porém, após uma conversa com a TV Brasil realizada em janeiro, a emissora se interessou pelo material e Paloma e Pizzini decidiram formatar o material para criar a série em parceria.

“Estamos fazendo praticamente ‘arqueologia’ da obra do Glauber”, afirma Paloma.