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Bergman sobre Antonioni
Dia 30 as mortes de Ingmar Bergman (1918 – 2007) e Michelangelo Antonioni (1912 – 2007), dois dos maiores autores do cinema, completam um ano. Aproveitei que, a partir de hoje, sexta-feira, a Cinemateca Paulo Amorim está homenageando os dois mestres com a exibição, em cópias em 35mm!, de Morangos Silvestres (1957) e Gritos e Sussuros (1972), do sueco, e A Noite (1961) e O Passageiro: Profissão Repórter (1975), do italiano, para adiantar aqui uma pequena homenagem.
Trata-se de um trechinho bem curto de uma entrevista na qual Bergman comenta sobre novos autores de cinema, ao que tudo indica, falando para uma emissora de tevê norte-americana, em 2002. Em meio a uma resposta, em meio a uma crítica mais que pertinente aos novos autores como um todo, o diretor de Persona (1966) e Monika e o Desejo (1953) citou uma bela frase proferida pelo diretor de A Aventura (1960) e Blow Up (1966). Vale a pena ver abaixo, aproveitando também para conferir quais eram os dois filmes de Antonioni preferidos do sueco. As legendas estão em inglês, mas está fácil de sacar a lição do grande cineasta, que por sinal teria completado 90 anos de idade esta semana, se vivo fosse.
Sessão comentada de “Limite”
Ontem, tive contato com a obra de um visionário. Sim, um visionário.
Antes do filme ser rodado, uma conversa com dois profissionais das Letras apaixonados por cinema, Michael Korfmann e Alice Spitz. O primeiro é professor de alemão da UFRGS e tem diversos textos acadêmicos sobre o filme, tanto no Brasil como na Alemanha. Soube por ele do relançamento do mesmo em ‘versão definitiva’. “Limite” possui diferentes versões de cortes e até de trilha, segundo o professor. E essa versão seria lançada no ano que vem.
Alice Spitz é cineasta e também ligada às Letras, de poucas palavras – mas de muita leitura -, a carioca, conterrânea de Mario Peixoto, apresentou um texto de sua autoria sobre o quão inovadora naqueles recursos de linguagem e estética era a obra para aquela época, para aquele Brasil, para tornar influente para o que viria depois. O país pouco possuia audiovisualidades e teve no sonho de um jovem o resultado de um dos maiores filmes. Mario Peixoto era escritor e, segundo Alice, afirmava ser escritor, não cineasta.
Deslumbrado com a promessa de um grande filme, tive meu primeiro contato com uma obra de Mario Peixoto. E, depois dessa experiência, dizer que se trata de um visionário não é um exagero, embora ainda esteja em estado de transe.
(Solano Lucena)